Desemprego afeta jovens com maior escolaridade

No país, o aumento do desemprego que atinge todas as faixas, especialmente pessoas com 18 a 24 anos, também afeta os jovens com um nível de escolaridade maior, que eram pouco afetados a pouco tempo atras.

Passou de 528 mil para 830 mil em dez anos, o número de jovens que se formam por ano nas universidades do Brasil.

Essa geração, beneficiada por um acesso mais fácil ao ensino superior, chega no mercado de trabalho e se depara com uma triste realidade, a falta de vagas.

Segundo dados da Pesquisa Mensal de Empregos (PME), a taxa de desemprego em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre foi de 6,4% no mês de abril.

Essa taxa mais que dobrou entre os jovens, passando os 16%.

Desemprego afeta jovens brasileiros

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Entre 2002 e 2014, a taxa de desemprego caiu 11,2 pontos percentuais, de 23,2% para 12%, entre jovens com idade até 24 anos.

Já neste ano, a taxa subiu para 16,2% em abril.

“Demorou 12 anos para a taxa cair 11 pontos e em um único ano já foram devolvidos mais de 4 pontos”, observa Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Falta de experiência

Entre os jovens com mais de 11 anos de formação, a taxa de desemprego passou de 11,1% para 14,6% no mês de abril.

“Já cheguei a mandar de 50 a 60 currículos por dia para empresas de São Paulo e outros Estados, e não consigo nada em minha área”, diz Nicole Pervelli.

Nicole Pervelli se formou no fim de 2014 em Engenharia Ambiental pela Fundação Santo André, segundo ela a busca por emprego já se ampliou para outras áreas da engenharia.

“Achei que seria mais fácil, mas, além da exigência de experiência na área, tem a crise no País que dificulta ainda mais”, diz Nicole.

Aumentou de 265,9 mil em 2014 para 340,4 mil neste ano, o número de desempregados com mais de 11 anos de estudos.

O número de empregados, por sua vez, caiu de 2,12 milhões para 1,98 milhão.

“o País não está conseguindo gerar vagas qualificadas no mesmo ritmo em que está melhorando a qualificação”, diz Raone Botteon Costa, economista da Fipe.

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